Think inside of the box? [pt-BR]

Caros amigos e amigas, há já algum tempo que a minha escrita sobre temas da sociedade actual tem estado suspensa, muito devido à minha grande paixão tecnológica que me leva a querer partilhar com a comunidade informática artigos que possam auxiliar os meu homólogos espalhados pelo globo a não passarem pelas mesmas dificuldades que eu venho a passar durante a minha experiencia profissional.

Apesar desse facto consegui encontrar algum tempo livre para comentar a realidade em que vivemos hoje em dia e para contrariar muito daquilo que vejo acontecer no dia a dia. A minha principal preocupação é sem dúvida o que aquilo que ensina nas Universidades em termos de posição face à vida, nomeadamente a capacidade de alguém pensar fora da caixa ou em termos mais conhecidos “Out of the box”.

Gostava de começar com um desafio: Nos próximos 30 segundos pensem numa solução informática inovadora e diferente que possa marcar o mundo. Agora pesquisem no google se já não existe… Qual foi o valor criado durante esses trinta segundos? A aplicação já existe? O projecto é viável?

Agora peço um novo desafio: Pesquisem no Google por uma aplicação informática que conheçam e usem no dia a dia… leiam a informação sobre o produto… e nos próximos trinta segundos pensem numa forma de a tornar diferente e mais ajustada ao mercado português… Conseguiram?

Entre estes dois desafio existe a diferença do paradigma de pensamento, numa eu sou impelido a pensar fora da caixa, tentando criar algo diferente e inovador que certamente faria um sucesso enorme e poria a conta bancária com milhões de euros porém muito improvável de acontecer, pesquisem sobre a percentagem de casos deste género e vão perceber onde quero chegar. Na outra partimos de algo já existente e que responde a uma necessidade real e já identificada da nossa sociedade e encontramos uma forma diferente de a concretizar, facebook, twitter, hi5, google plus, não são todas redes sociais? Não coexistem todas no mercado? Umas nasceram das outras, no entanto com visões diferentes do mesmo problema.

Esta método de encarar a vida “fora da caixa” tornou-se um sucesso nos últimos tempos com os vários comentadores televisivos, consultores, políticos e outros feiticeiros da oratória contagiante a usarem e abusarem desta forma de pensar. Basta que um trabalhador faça o seu trabalho de uma forma simples e eficaz para que o seu superior se mostre extremamente desagradado com o seu trabalho, querendo algo único e inovador, mandando o seu colaborador pensar fora da caixa, com uma solução que faça destacar a empresa. Hoje em dia não se quer alguém ou algo que funcione bem ou que faça bem o seu trabalho mas sim algo que impressione bem e do qual se possa dizer que é uma solução diferente de tudo o que já existiu. Este é o novo padrão que encontro na sociedade, procurar descobrir o que nunca foi descoberto.

É claro e já se devem ter apercebido que a minha posição vai contra esta realidade e o meu objectivo com este post é sem dúvida mostrar o porquê de eu acreditar que aquilo com que os jovens e os muitos adultos desempregados por este país se devem preocupar é em pensar “inside of the box”.

Antes de mais gostaria de vos convidar a olhar para uma caixa e perguntar-vos o que vêem?

 

cardboard_box_400

Aquilo que eu vejo é sem dúvida alguma uma caixa, na qual eu poderei guardar alvo valioso ou nem por isso ou através da qual poderei transportar um objecto. Mais do aquilo a que se propõem pensam no porquê das caixas serem quadradas em vez de redondas… Realmente criar uma caixa redonda seria inovador e diferente mas seria útil?

Aquilo que os especialistas em pensar out of the box gostam de ver é a oportunidade de reciclar e criar um objecto nunca visto que permita através de uma caixa fazer um negócio ou sobreviver a um terramoto, afinal de contas eu cresci a ver o MacGyver, mas que na maior parte das vezes não respondem a problema algum.

Apesar de eu concordar com a necessidade de inovar e empreender pergunto se face a um mercado altamente instável e no conseguir segurar um negócio durante um ano é uma vitória, não deveríamos colocar a nossa forma de pensar dentro da caixa e garantir que antes de sair, esgotamos os recursos que a caixa nos dá? Aqui à uns dias enquanto fazia umas pesquisas na internet descobri um blog que falava sobre os dez maiores negócios bizarros que renderam milhões de euros, porém nunca vi ninguém a falar nos milhões de negócios bizarros de fecharam ao fim de dez dias.

A verdade é que querer inventar algo que responda a um problema inexistente está condenado ao insucesso.

Desde que iniciei o meu percurso académico e agora o meu percurso profissional não me tenho preocupado nada com o querer ser diferente de todos os outros ou criar uma invenção megalómana mas mais com querer ser o melhor dentro de todos os iguais porque uma coisa é certa ninguém consegue ser veterinário se a sua especialização é cirurgia em Unicórnios….

Pensar fora da caixa pode ser algo extremamente positivo para alguns mas a verdade é o somatório dos sucessos dos que pensam inside of the box supera em larga escolha o grupo de quem pensa out side of the box.

Procurem conhecer a caixa antes de a quererem mudar senão acabam a reciclar cartão…

E acima de tudo procurem responder a problemas reais e não criem soluções para problemas que só existem na vossa cabeça. A capacidade de inovação não nasce com o individuo, revela-se com a sua maturidade e experiência de vida. 

 

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One comment

  1. Inovar e empreender, olhando e pensando “Inside of the box”, obriga a admitir que erramos, que não somos perfeitos e não podendo assim atirar “Pedras aos outros”, pois reconhecemos que temos “Telhados de vidro”. Ao revés, quem olha exclusivamente “Outside of the box”, não consegue ter “Humildade” suficiente para reconhecer os seus “Telhados de vidro”, atirando “Pedras aos outros” com facilidade, independentemente de falarmos de organizações, ou de pessoas.

    Para concretizar a introdução, nada mais simples do que recorrer à Gestão Organizacional. As organizações não são perfeitas, logo acontecem falhas, problemas, situações menos perfeitas e a necessitarem de um pensamento “Inside of the box”. Assim, surge logo a primeira dificuldade, saber qual(is) o(s) problema(s) a “Atacar”, esquecendo que para o efeito existe uma ferramenta que prioriza os problemas dos mais graves, para os com menos importância. Falo do “Diagrama de Pareto”, o qual nos transmite a relação de que 80% dos nossos problemas se encontram em 20% de causas, indicando onde nos deveremos debruçar.

    Mas as causas de um determinado problema, poderão ser categorizadas segundo a mão-de-obra, métodos, matéria-prima, máquinas, medição e meio ambiente. Para tal, nada melhor do que utilizar uma ferramenta desenvolvida por Kaoru Ishikawa, o “Diagrama Causa e Efeito”. Este, dá-nos uma representação gráfica que permite facilmente visualizar a cadeia de causas e efeitos do problema em análise. Assim, poderemos facilmente representar a relação entre o efeito de todas as possibilidades de causas que contribuem para o efeito (problema).

    Os dois parágrafos anteriores abordam ferramentas que clarificam onde devemos “Atacar”. Temas estes, ensinados nas Universidades e que dificilmente são aplicados nas Organizações. Isto acontece, por um lado, porque os Gestores acham que são questões meramente teóricas e de não aplicabilidade. Por outro lado, por ignorância das mesmas, ou ainda e, mais grave, para não serem abordados, ou até mesmo escondidos, os “Problemas” e as suas “Causas”.

    Concluo dizendo que, só depois de tomarmos ações sobre as causas dos nossos problemas, ou seja, de criarmos valor no “Inside of the box” (ex: processos, produtos, …, ou mesmo em nós próprios), estamos em condições de olharmos para o “Outside of the box”, procurando parcerias, ou qualquer outra solução, que crie valor na nossa cadeia (ex: produto, pessoal, …).

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